Durante décadas, vermute no Brasil foi quase sinônimo de Martini, Cinzano e Rabo de Galo. Agora, uma nova geração de produtores está trazendo outros estilos, vinhos-base e botânicos para a categoria. No dia 20 de setembro, 14 deles estarão reunidos em São Paulo para a terceira edição do Sur Vermut.

Se você cresceu frequentando botecos, provavelmente já viu uma garrafa de Martini ou Cinzano atrás do balcão. O vermute faz parte da história dos bares brasileiros há muito tempo, principalmente por influência da imigração italiana. A Cinzano, fundada em Turim em 1757, já exportava vermute para o Brasil no início do século XX e instalou sua primeira fábrica brasileira em São Paulo em 1954. Foi nesse contexto que surgiu o Rabo de Galo, combinação de vermute e cachaça que se tornou um clássico da coquetelaria brasileira.
Com o renascimento da coquetelaria, a partir dos anos 2000, o vermute foi gradativamente ganhando o centro das atenções. Em 2007, o Washington Post já chamava o movimento de “vermouth renaissance”. A reportagem observava que a recuperação dos coquetéis clássicos estava ajudando a recolocar o vermute em evidência e citava o Manhattan como um dos exemplos: à medida que bartenders e consumidores redescobriam os clássicos, voltava também a procura pelo ingrediente fundamental dessas receitas. Negroni o Martini seguiram a mesma pegada.
Por conta desse histórico, no Brasil vermute ainda é muito associado ao preparo de coquetéis. Mas isso começa a mudar.
Agora o vermute quer ser bebido sozinho
Gelo. Vermute. Talvez uma casca de laranja. E pronto. Esse é o hábito que produtores latino-americanos querem recuperar: o vermute como aperitivo, não apenas como ingrediente de um coquetel. E estão criando uma versão original da bebida
Puxado por Uruguai e Argentina, onde o consumo do vermute puro é historicamente forte, produtores latino-americanos estão criando vermutes que reinterpretam aqueles produzidos pelos grandes nomes europeus.
O vinho-base passou a ser protagonista. Tannat, Malbec, Torrontés… Em vez de usar um vinho praticamente neutro e deixar que os botânicos façam todo o trabalho, alguns produtores estão tratando o vinho como parte essencial do perfil da bebida.
Os botânicos reforçam o toque local. Ervas, flores, cascas, frutas e especiarias disponíveis em cada região ajudam a criar perfis que dificilmente poderiam nascer em Turim ou Chambéry. É praticamente o conceito do terroir do vinho aplicado no vermute.
Sur Vermut
Foi em Montevidéu, onde o consumo do vermute puro continua fazendo parte da vida cotidiana, que nasceu o Sur Vermut.
Em 2024, a primeira edição do encontro latino-americano em Montevidéu reuniu mais de 16 produtores de sete países. Em 2025, o evento cresceu ainda mais, chegando a 22 produtores de dez países.
Agora é a vez de São Paulo.

Por que o Sur Vermut é diferente de uma feira de bebidas
A terceira edição do encontro acontece em 20 de setembro de 2026, no HiFi Community, na Vila Leopoldina.
A organização informa a participação de 14 produtores de Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Entre eles estão Avelino, Companhia dos Fermentados, Enraízes, Flores, Gargalo, La Finca, La Fuerza, La Vermuteria, San Basile, Stravatto, Suspírito, Tero, VDC e Yerbasanta.
Produtores de várias origens, entusiasmados com o renascimento da bebida, que estarão ali para apresentar suas criações.
O visitante poderá provar os diferentes rótulos diretamente nas bancadas e conversar com quem os produz. Para uma categoria ainda pouco conhecida no Brasil, essa comparação é muito mais reveladora do que simplesmente experimentar uma garrafa isolada.
Quem gosta de vinho tem uma boa razão para prestar atenção
Vermute é uma bebida à base de vinho.
Mais precisamente, é um vinho aromatizado — geralmente fortificado — ao qual são adicionados botânicos. Sua história é muito mais antiga do que a imagem de bebida de boteco pode sugerir, e a categoria se desenvolveu como aperitivo antes de se tornar um dos pilares da coquetelaria moderna.
Ele tem a complexidade aromática que interessa a quem gosta de vinho, mas também a liberdade de criação que existe na coquetelaria. E os produtores latino-americanos estão explorando exatamente essa interseção.
É uma mudança que merece ser acompanhada.
Um domingo para provar o que está acontecendo
O Sur Vermut acontece das 12h30 às 19h, no HiFi Community, na Vila Leopoldina. O ingresso custa R$ 50 e inclui o copo oficial do evento, degustação livre dos vermutes e acesso aos workshops e oficinas.
Para completar, música e gastronomia.
Sur Vermut — São Paulo
20 de setembro de 2026, a partir das 12h30
HiFi Community — Rua Mergenthaler, 1177, Vila Leopoldina
Ingresso: R$ 50
Se você ainda vê vermute apenas como “aquela dose” que entra no Negroni, talvez esteja na hora de provar o que acontece quando ele finalmente sai do coquetel e ganha o centro do copo.


