Roteiro de Enoturismo na Serra da Mantiqueira: 4 dias entre vinícolas e cafés

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A Serra da Mantiqueira é hoje um dos melhores destinos de enoturismo no Brasil. A poucos quilômetros de São Paulo, a região reúne vinícolas premiadas, tradição cafeeira, gastronomia mineira e paisagens de tirar o fôlego. Neste guia, compartilho um roteiro de 4 dias na Serra da Mantiqueira, com dicas de vinícolas, restaurantes e hospedagem para aproveitar ao máximo.

Viajei, confesso que sem muita empolgação, à Serra da Mantiqueira para explorar um roteiro montado pela WannaGo. Fiquei impressionada com o que vi: muito amor pelo vinho e investimento pesado (a “invasão dos farialaimers” segundo alguns) gerando ótimas oportunidades de enoturismo bem pertinho de Sampa. Os cenários são de tirar o fôlego.

Se você esquecer o preconceito verá que as experiências não ficam devendo a badalados destinos internacionais como Douro e Toscana. Mas a história é Novo Mundo e mostra muitos paralelos com a história do renascimento do Napa Valley, que culminou com o famoso Julgamento de Paris (conheça essa história e os paralelos que tracei aqui e aqui).

Voltei animada. Provei rótulos surpreendentes, ouvi histórias de coragem e paixão. Descobri também que o café segue firme como protagonista, convivendo em harmonia com o vinho. E comi muito bem, obigado!

Compartilho a seguir meu roteiro com breves informações sobre cada parada. Pode servir de inspiração para você organizar sua prória viagem ou para direcionar a WannaGo no design de um roteiro específico para seus interesses. Enjoy!

Dia 1

Saída de São Paulo: destino a Jacutinga, com parada estratégica em Viracopos para completar a tropa da trip.

Vinícola Pioli

Fomos recebidos com um delicioso cafezinho, também de produção da Pioli. Marcelo Pioli já produzia café premium em Jacutinga. Em 2016 iniciou a plantação de vinhedos em parte da propriedade, sob consultoria do pessoal da Terra Nossa, onde também produziram os primeiros vinhos. A safra 2025 vai ianugurar as instalações próprias da Pioli, num belo edifício de arquitetura futurista que se destaca no cenário cafeeiro. A degustação acontece numa sala da antiga casa sede da fazenda. @vinicolapioli

Vinícola Terra de Carvalho

As instalações ainda estão em cosntrução mas já impressionam. Posicionada no alto, a vista do vale abaixo promete ser a vedete do futuro wine bar. 40 mil garrafas (vinificadas na Terra Nossa) já estão estocadas e os tanques próprios já estão posicionados. A previsão é chegar a 200 mil garrafas/ano, 3 ou 4 chalés mais ao alto, para experiência entre vinhedos e um hotel mais abaixo, cruzando a estrada. Se precisar chegar rápido por lá o heliponto já está funcionando. @vinicolaterradecarvalho

Almoço no Rancho Churrascada

Um verdadeiro complexo com chalés, trilhas e até vinhedos. Conheci apenas o restaurante. Lugar agradável, com um riacho correndo ao fundo e a promessa de happy hours animados. Carnes nobres servidas no ponto perfeito. @rancho.churrascada

Pôr do sol na Vinícola Merum

Vista do wine bar Merum

Trata-se na verdade de um wine bar, com oferta de vinhos de muitos produtores da região. O lugar tem um ar hippie chic, com gazebos e aquecedores no inverno. A vista do deck ao pôr do sol é um show à parte. @vinicolamerum

 

Jantar na Opção Trattoria

Pratos bonitos e bem apresentados, típicos de trattorias. Serviço cortês e eficiente. @opcaotrattoria

Dia 2

Experiência de café na Experenciar

Atividade divertida, instrutiva e altamente instagramável. Conhecemos as etapas da produção de café premium, torramos nosso próprio café, ouvimos as explicações e fizemos a experiência sensorial (confere aqui). Ao final, a degustação com bolos e hospitalidade mineira. @experenciar.serradamantiqueira ☕️

Vinícola Guaspari

A pioneira da região não brinca em serviço. Nem nos vinhos nem na recepçãp, que foi feita com um belo cafezinho e pão de queijo sério candidato a melhor da vida (sério competidor para o paõ de queijo do Rubayiat). A visita aos vinhedos teve seu “momento vindima”, que rende ótimas fotos e brinde com o delicioso Viognier Vista do Bosque. No almoço foram servidos 3 vinhos, inclusive o lançamento Porcellino – com a nova aposta da vinícola numa uva inédita na região: a Nebbiolo (aqui num blend com Syrah). Nem preciso dizer que foi meu vinho preferido da trip, né? Frutado, sem madeira. 13% de álcool. E a boa notícia: entre os mais em conta do produtor.

Vinícola InnVernia

Outra das grandes por aqui. Instalada numa antiga fazenda de café, a InnVernia aposta em variedades menos conhecidas. Saperavi, Rkatsiteli e Frappato são algumas delas. Os planos para a construção do wine bar foram adiados mas o charme das ruínas de uma antiga igreja ainda está por lá – um cenário lindo para casamentos. Confira minha visita anterior à Innvernia aqui.

Dia 3

Vinícola Stella Valentino

Uma das experiências mais autênticas, que começa com a chegada do senhor Valentino Stella ao Brasil em 1888 vindo do Vêneto. Veio trabalhar nas lavouras de café mas trouxe consigo a tradição de plantar uvas e fazer vinhos. Andradas teve um breve momento na história vinícola nacional mas acabou perdendo espaço para o sul.

A Vinícola Stella Valentino só inicia na produção de vinhos finos em 2002, com a técnica de produção no inverno. Minha visita contou com a ilustre presença do senhor José Procópio, tataraneto de Valentino, formado em agronomia e história viva da região.

Eles também têm uvas diferentes aqui: Tempranillo e Marsanne. >>

Almoço no Figo Cucina

Localizado num casarão colonial centenário e com um delicioso páteo externo arborizado (não tem figueiras mas tem jabuticabeiras!). Eu gostei muito da salada de figo com folhas, gorgonzola e laranja. Em Andradas. >>

Vinícola Casa Geraldo

Ganhou o troféu surpresa do passeio. O lugar é lindo e m inspirou a comparação com Douro e Toscana. Pode-se organizar festas grandiosas como casamentos ou menores, em vários pontos espalhados pelos vinhedos e açudes da propriedade. Fizemos o tour num ônibus estilo jardineira, parando em vários pontos, com um brinde em cada um. Finalizamos ao lado do açude com tábua de frios. @casageraldo

Pôr do sol e jantar no Rancho da Bela Vista

Se quiser fazer o senhor Luis chorar é só pedir a ele que conte a história de seu vinho, feito em homenagem ao avô paterno (o avô matero já estava “contemplado” com a produção de café, na mesma propriedade). O vinhedo começou em 2022 e a primeira safra foi 2024.

2 anos é pouco para um vinhedo produzir uvas que valha a pena vinificar. O mínimo, dizem os especialistas, são 4 anos. Isso em cultivos normais. Validando a história que tinha ouvido informalmente em várias partes, o ciclo duplo acelera a vida da planta, fazendo com que amadureça mais rápido. 2  vezes mais rápido, aparentemente. Pelo menos.

A notícia boa é que devemos poder desfrutar vinhos de “vinhas velhas” em pouco tempo na região. Não nada científico sobre o tema, mas parece ser consenso geral que vinhas velhas produzem vinhos melhores, mais concentrados e equilibrados. Tendo a acreditar. O Syrah Nelita da RBV – homenagem a dona Nelita, a esposa – foi o que mais gostei nessa viagem. É surpreendente que venha de um vinhedo tão jovem. A vinificação é feita pelo pessoal da Terra Nossa, mas o vinho é diferente: mais delicado, floral… parece já começar a indicar as diferenças do terroir local independente da mão do enólogo. Isso me anima.

A notícia ruim é que essas videiras provavelmente deixarão de ser produtivas mais cedo. Mas isso a gente vê depois.

O rancho tem hospedagem (parte da nossa trip se hospedou aqui. Eu não tive essa sorte mas me deliciei com as histórias dos colegas e desfrutei parte dessa hospitalidade no jantar). Também têm criação de cavalos por lá e organizam passeios (para visitar vinícolas ou outras atividades). A casa, toda envidraçada, fica ao pé da Serra e o pôr do sol é realmente lindo mas a chegada não é para qualquer carro.

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Fabiana Knolseisen (@simplesvinho)

 

Confere o vídeo.

@ranchodabelavista

Dia 4

Vinícola Casa Almeida Barreto

Super novidade (os vinhos estavam sendo lançados naquele fim de semana), a CAB ficou com o troféu surpresa da viagem. Gabriel, um jovem ex-advogado inquieto decidiu investir na região. Comprou – adinhem… uma fazenda de café. O negócio do café é um sucesso e está financiando a empreitada dos vinhos.

Cheio de ideias e energia, Gabriel foi buscar ajuda com Alejandro Cardozo para fazer seus vinhos – o uruguaio que já foi eleito melhor enólogo do Brasil pelo Guia Descorchados e responsável pelo Syrah de dupla-poda Sabina – ano após ano considerado melhor tinto do Brasil por críticos especializados.

Além do terroir (fica em Albertina) os vinhos mostram a mão de Cardozo: mais fruta, mais acidez, menos extração e menos madeira. Chegando para subverter o status quo local. Adoro! Falei deles aqui.

Vinícola Amana

Uma vinícola com gestão profissional (precisa mesmo: hoje são 44 sócios!) mas com cara de boutique. Sempre que você for, há grande chance de encontrar algum dos apaixonados sócios por lá (100% na minha experiência!). Começou em 2017, também vinificando na Terra Nossa como tantas outras por aqui, mas hoje já tem instalações próprias e vinifica para parceiros, além de ser a origem das mudas de Chenin Blanc da região – o que lhes rendeu o título (compartilhado) de Mondavi tupiniquim no meu artigo!

O jardim ao lado dos vinhedos é lindo e muito agradável. A instalação do restaurante foi adiada, mas vale conferir programações especiais como essa que eu participei – confira.

Almoço na Casa do Ipê

Melhor experiência gastronômica (fora de vinícla) da viagem. Todos os pratos lindamente apresentados e deliciosos (fui a única que pediu o Durok com purê de maçã e farofa e acabei tendo que dar “um tequinho” pra todo mundo provar de tanto que falei bem!). Carta de vinhos interessante e eles têm vinho próprios também – o Parziale. É um dos mais antigos da região e, apesar de ter safras recentes no menu, as garrafas mais antigas ficam guardadas no cofre. Vale tentar provar uma delas! Uma raríssima oportunidade ver vinhos evoluídos da região. @casadoipecozinha.

No lugar também vendem alguns dos produtos disponíveis no restaurante, como o salmão gravilax e o guanciale curado. Charme adicional foi saber que a Anniela e o cãommelier são ouvintes assíduos do Simples Vinho.

No local também há chalés.

Vinícola Mirantus

Última parada antes do retorno a Sampa. Fica 1.300m de altitude com um pôr do sol (mais um!) espetacular. Contei um pouco da história do Jayson, um jovem que trocou a carreira em Sampa para fazer vinhos na terra natal, no início deste post. O empreendimento pulsa com a energia jovem e mil ideias. Uma das mais interessantes é o “minha videira, minha história” – que oferece  oportunidade de “adotar” uma videira, cuidar dela, conduzir (processo de amarração da trepadeira muito importante para questões como insolução dos frutos), podar, colher e… fazer seu próprio vinho!

Eles também oferecem 3 chalés.

Os nomes dos “proprietários” encabeçam as fileiras de parreiras

Vinho Sintonia, já premiado internacionalmente, com os nomes dos “donos”

@vinicola_mirantus

Hospedagem

Eu fiquei no Porto Asas, que é estilo Ibis Budget. Teve quem reclamou de o quarto ser pequeno mas eu achei suficiente. Tinha uma cama de casal confortável, com um dos lados quase encostado na parede e do outro uma escrivaninha. Espaço pequeno mas suficiente. O banheiro era quentinho (não sei como! Estava bem frio naqueles dias) e o chuveiro muito bom. Café da manhã ótimo para mim: mamão (e outras frutas), yogurte sem sabor, pão de queijo e café expresso. Não preciso de nada mais mas é claro que as típicas gordices mineiras também estavam disponíveis. @portodasasasparkhotel

Parte do meu grupo se hospedou na Casa RBV e amou a hospitalidade. É mais bucólico e luxuoso. Uma ótima opção para quem for curtir mais o lugar, com sauna, piscina e esse pôr do sol que se vê no vídeo. A Casa do Ipê, Rancho Churrascada e Vinícola Merum também oferecem hospedagem.

WannaGo

A WannaGo é uma operadora de turismo focada em experiências recém chegada a São Paulo. Além das saídas de Sampa é possível também organizar saídas desde Viracopos, oferecendo mais opções e conveniencia para quem vem de outros estados. Para falar com eles >>. Esse roteiro de enoturismo na Serra da Mantiqueira mostra como a região vai muito além da fama de “Toscana brasileira”. Entre vinícolas inovadoras, cafés premiados e hospitalidade mineira, a Mantiqueira se consolida como um dos destinos mais promissores do turismo de vinhos no Brasil. Você pode usar essas dicas para montar seu roteiro ou deixas a WannaGo fazer isso por você. Só não deixe de ir.

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