A Prowine São Paulo 2025, que aconteceu entre 30 de setembro e 2 de outubro, confirmou seu posto de maior feira de vinhos e destilados das Américas. Os números impressionam: crescimento de 33% no público e 7% no número de produtores em relação a 2024. Este ano, foram 20 mil visitantes e 1.500 marcas de 36 países reunidas no Expo Center Norte.
Além dos números, a feira também se destacou por novidades, como a setorização dos destilados, a exemplo do que já acontece na Prowein e reforço na pauta de sustentabilida. Além disso, a experiência do visitante foi aprimorada com o envio da credencial em casa e uma rica oferta gastronômica para as pausas entre degustações.
Dentre os expositores, chamou a atenção o aumento na participação dos vinhos brasileiros, refletindo o efervescente cenário nacional. A forte presença das importadoras nacionais garantiu uma excelente oferta de vinhos ícone – para deleite dos visitantes – e masterclasses educativas.
Com toda essa grandiosidade, fica cada vez mais difícil cobrir a feira toda. Aqueles que planejaram sua visita puderam contar com informação detalhada dos expositores, mapa dos stands e um app. Meus focos foram o Cáucaso, vinhos de baixo/zero álcool e vinhos de inverno, sempre aproveitando momentos menos concorridos e oportunidades tempestivas. Aqui vão meus destaques.
Destilados ganham protagonismo na Prowine São Paulo 2025
Seguindo os passos da alemã Prowein, os destilados ganharam espaço e protagonismo. De whiskies nobres e gins aromáticos a cachaças premium, a diversidade de marcas e estilos mostrou como o segmento vem crescendo em sofisticação e conquistando mercado no Brasil.
Importante notar que o evento se desenrolou concomitantemente ao escândalo de contaminação por Metanol em bebidas destiladas, focalizado justamente no estado de São Paulo. 3 mortes já foram confirmadas e outros tantos casos estão sob investigação.
Vinhos sem álcool: tecnologia e inovação na taça
A julgar pela oferta no evento, parece que os vinhos sem álcool e de baixo teor alcoólico se confirmam como tendência, estando nos planos de vários produtores e importadores. No entanto, muitas opções ainda se limitam a sucos gaseificados sem fermentação, sem entregar a complexidade de um vinho.
No Brasil, a Vinícola Aurora já desenvolveu tecnologia própria de desalcoolização, produzindo versões de branco e tinto. A Casa Valduga confirmou estar investindo em uma futura linha de fermentados desalcoolizados, enquanto Amitié e Morandé já produziram opções de baixo álcool (em torno de 9%) – o da Morandé ainda sem previsão de chegar ao mercado.
Meu destaque especial é a linha Natureo, da Familia Torres. Fruto de um investimento milionário, os vinhos são elaborados de forma tradicional — com fermentação e até envelhecimento em barricas — antes de passarem pelo processo de cones rotativos: uma destilação a vácuo, em centrifugação a baixa temperatura, que remove o álcool preservando aromas e sabores. O resultado são vinhos brancos e rosés frescos e aromáticos, que se aproximam bem de um bom vinho tradicional.
A importadora S&P prometeu a estréia de um “ótimo” sulafricano desalcoolizado para a feira. No entanto, os vinhos não puderam ser desembaraçados a tempo e não puderam ser provados. Fiquei curiosa. De novo.
Destilados em alta
Seguindo os passos da feira alemã Prowein, os destilados ganharam espaço e protagonismo na Prowine São Paulo. De whiskies nobres, gins aromáticos a cachaças premium, a diversidade de marcas e estilos mostrou como o segmento vem crescendo em sofisticação e conquistando mercado.
Vinhos do Cáucaso em ascensão
A Geórgia dobrou o tamanho do seu stand este ano, reflexo da curiosidade dos brasileiros e do trabalho dos winehunters Andre e Karla Baader. Além da importadora Wine7, dois produtores independentes participaram em busca de representação local.
Conheça os vinhos da Geórgia neste episódio do podcast.
A Armênia também chamou a atenção com rótulos de uvas autóctones pouco conhecidas, como o vinho laranja de Mskhali e o claret de Tigran, trazidos pela importadora Artsakh.
Grécia com sotaque
A importadora Monte Dictis inovou ao promover masterclasses que iam além da degustação: além de apresentar os vinhos, educavam sobre a cultura grega e até a pronúncia correta de uvas como Assyrtiko e Xinomavro.
Visitantes puderam provar o histórico retsina, além de um PDO Comandaria – uma espécie de passito de soleira do Chipre.
Brasil em evidência
Mais de 200 marcas brasileiras de 10 estados e do Distrito Federal reforçaram a pluralidade do setor nacional. Grupos como Vinhos dos Altos Montes, Aprovale, Vinhos de Altitude de SC, Vinhovasf, SindVinho MG e Anprovin mostraram a riqueza de estilos e terroirs.
Entre os destaques, o vinho laranja da Vinícola Aurora, lançamento muito aguardado, esgotou já no segundo dia de feira — e quem não foi rápido, como eu, ficou sem provar.
Grata surpresa diretamente de Garanhuns, a Vinícola Melo apresentou vinhos muito corretos e a história de um Pinot Noir estagiado em ânforas que (também) já tinha acabado na minha vez mas me deixou muito interessada.
Pequenas joias escondidas
Garimpar a feira sempre rende gratas surpresas. Muitas encontradas por mera casualidade e algumas indicadas por colegas.
No stand coletivo de Trás-os-Montes, a Casa de Joa apresentou um experimento curioso: vinhos produzidos com sulfitos extraídos de plantas. Há as duas versões do mesmo vinho – com sulfitos “normais” e botânicos – permitindo uma degustação comparativa bastante educativa. Os rótulos já estão disponíveis no Brasil pela Quattro Importadora.
No stand da Wine Lovers, que participou da feira pela primeira vez, destaco os vinhos bolivianos Jardín Oculto, com o clarete de Negra Criolla. Já delicioso palhete Pacto, da Família Carvalho no Douro, podia ser degustado enquanto se sobrevoa os vinhedos a bordo de um balão graças a óculos de realidade virtual.
Outra descoberta foram os vinhos Jujuy, diretamente da Quebrada de Humauaca, da Bodega El Bayeh: vários ótimos vinhos de criollas e expressões muito distintas das tradicionais Malbec, Sauvignon Blanc e Syrah.
Uma nova importadora que impressionou pelo portfólio foi a Flakes Wines, que está trazendo, entre outros, Paco Puga, de Salta e a Patagônica Casa Yague.
Região de Lisboa surpreendeu novamente esse ano com os brancos da Adega d’Arroocha.
Da Espanha, pela importadora Castas, conheci o projeto Alma Carraovejas: com a proposta de produzir vinhos em diferentes terroirs, me impressionou o Ossian – um Verdejo de vinhas pré-filoxera em Castilla y León e o Gran Meín Castes Brancas, um complexo blend de Treixadura, Godello,
Torrontés, Albariño, Loureira e Caíño Blanco de Ribeiro.
Dentre os produtores tradicionais, um Cabernet Sauvignon de vinhas velhas do Itata produzido pela Morandé – o El Cabernet de Rânquil e basicamente a linha completa em exposição da Maturana Wines, reconfirmando minha impressão do ano passado.
Para os curiosos como eu, a passadinha no stand da EBV, do uruguaio Alejandro Cardozo sempre rende aprendizados. Neste ano provei experiementos com a posição das garrafas durante a autólise: a garrafa que amadureceu em pé tem aromas mais vivos enquanto a que foi armazenada deitada, pela maior superfície de contato, tem paladar mais cremoso.
Experiência do visitante
Uma inovação que agradou muito aos visitantes foi o envio da credencial por correio para quem se inscreveu antecipadamente. A medida poupou horas preciosas na entrada, especialmente no primeiro dia — tradicionalmente o mais concorrido.
O que esperar da Prowine 2026
Diante do sucesso desta edição, de 6 a 8 de outubro de 2026 a feira vai ocupar os Pavilhões Branco e Azul do Expo Center Norte, deixando para trás o Pavilhão Verde.
A mudança amplia o espaço para expositores, melhora o conforto do visitante e reforça o papel da Prowine como a maior e mais completa feira de vinhos e destilados das Américas.
Aguardamos com ansiedade.







