
Dizem que Jerez é ame ou odeie. De fato, provar Jerez pela primeira vez requer preparação. Oferecer uma taça de qualquer das versões secas ao consumidor de primeira viagem tem grande potencial para causar frustração.
Mas isso é mais culpa da expectativa. Daí a preparação ser essencial. Seja pela crianza sob o vêlo de flor ou pela exposição ao oxigênio, os perfis de aromas e sabores dessa categoria de vinhos a distingue de tudo o mais que chamamos de vinho. O teor alcóolico é elevado. A textura é magérrima (as leveduras do vêlo “comem” o glicerol, que dá o gordinho dos vinhos). O sabor é marcante.
Pode soar como um vinho que não é para todos mas não se deixe enganar pelas aparências: pergunte a um sommelier qual vinho ele gostaria que mais gente descobrisse. Jerez tem grandes chances de aparecer na resposta.
O líquido resultante é tão especial que uma legião de apaixonados fervorosos ao redor do mundo se organiza para promovê-lo anualmente na Sherry Week – ou semana do Jerez. A verdade é que Jerez se estende por um enorme espectro de sabores – do mais seco ao mais absurdamente doce, tornando-os versáteis e gastronômicos.
Apaixone-se e aprofunde seus conhecimentos sobre Jerez no podcast.
Se dez entre dez sommeliers têm um caso de amor com Jerez, talvez esteja na hora de você entender por quê. E a Sherry Week é uma boa oportunidade para descobrir (ou redescobrir) essa diversidade.
Provei o menu especial que a Enosteria preparou em parceria com a World Wine, com três tapas harmonizadas com vinhos da centenária Bodegas Barbadillo, de Sanlúcar de Barrameda. E posso garantir que as combinações propostas estão muito bem resolvidas. É possível provar 1 ou mais das 3 propostas.
Comece com o Manzanilla, vinho seco, delicado e marcado pela salinidade, tente imaginar algum vinho que acompanharia mehor a brusqueta de anchova siciliana Agostino Recca com tomate ralado. A afinidade é imediata: a acidez e o caráter salino do vinho encontram a intensidade da anchova e o frescor do tomate.
Já o Oloroso, de crianza oxidativa, é mais estruturado e com notas de frutas secas e especiarias. Fez par com a brusqueta de queijo curado, geleia de figo e jamón. Uma combinação de intensidade, gordura e doçura na medida certa.
Para terminar, Pale Cream com panacota e calda de frutas amarelas. Esse é um Pale Cream com doçura delicada (lembre-se: podia ser o vinho mais doce do mundo!) que acompanha a cremosidade da sobremesa sem pesar, numa combinação especialmente feliz.
O mais interessante é percorrer três expressões tão diferentes de Jerez numa mesma refeição. Da Manzanilla, envelhecida sob o véu de flor, ao Oloroso, que amadurece em contato com o oxigênio, até o Pale Cream, que acrescenta uma dimensão adocicada ao vinho.

É também uma boa maneira de entender por que Jerez merece muito mais espaço à mesa. Não é apenas vinho de aperitivo ou de sobremesa: há estilos para acompanhar praticamente uma refeição inteira.
Se gostar pode aproveitar e pedir a uma garrafa na loja para consumir no restaurante, já testando suas habilidades de harmonização com algum dos pratos do cardápio regular da casa. Todos os Jerezes estão com preços especiais durante o mês de novembro, com descontos que chegam a 30%.
São mais de 25 eventos da Sherry Week em todo o Brasil. Confira todos aqui.
Onde: Enosteria, Rua Jacques Félix, 626A, Vila Nova Conceição, São Paulo.
Quando: de 3 a 15 de novembro de 2026.
O menu especial faz parte da Sherry Week, em parceria com a World Wine.

