Dos Açores à Madeira: a inquietude criativa de António Maçanita em taça

No comments exist

O enólogo português apresenta em São Paulo uma degustação que percorre os terroirs mais fascinantes de Portugal — uma viagem líquida entre o vulcão, o mar e a história.

Por Fabiana Knolseisen

Há enólogos que seguem tradições. E há os que as reinventam. António Maçanita pertence à segunda categoria. Um dos nomes mais inquietos e inventivos do vinho português, ele construiu uma trajetória que atravessa regiões, redescobre castas esquecidas e devolve vitalidade a terroirs antes negligenciados. No dia 29 de outubro, o restaurante CEPA, em São Paulo, recebe Maçanita, sua irmã Joana e o parceiro Nuno Faria para uma degustação que reúne 28 rótulos produzidos pelo trio e quatro origens emblemáticas — Açores, Alentejo, Douro e Porto Santo/Madeira.

O Atlântico em estado líquido

Nos vinhos da Azores Wine Company, temos a força bruta e a delicadeza das ilhas. Plantadas em solos vulcânicos e fustigadas pelo vento e pela maresia, as videiras produzem brancos de caráter salino e mineral, tensos e precisos, que expressam como poucos o espírito atlântico. São vinhos de lugar — e de coragem —, que expandem o mapa sensorial do vinho português.

A ousadia do Alentejo

No Alentejo, à frente da Fita Preta, Maçanita alia irreverência e respeito. Seus vinhos nascem de uma busca por autenticidade: uso de castas autóctones, práticas sustentáveis e mínima intervenção na vinificação. O resultado é uma leitura contemporânea do sul português — intensa, mas equilibrada, fiel à identidade da terra e ao clima que a molda.

Um novo olhar sobre o Douro

Com Joana Maçanita, o projeto Maçanita Vinhos propõe uma releitura do Douro, tradicionalmente associado a vinhos robustos. Os irmãos exploram vinhas de altitude, pequenas parcelas e castas pouco conhecidas para revelar um Douro mais fresco, elegante e preciso. É um trabalho de recuperação e de experimentação que reposiciona a região como um mosaico de microterroirs, e não apenas como um símbolo de potência.

O renascimento de Porto Santo

Em parceria com Nuno Faria, Maçanita estende sua curiosidade até Porto Santo, uma das ilhas mais antigas do Atlântico. Ali, o desafio é extremo: ventos fortes, solos arenosos, produção minúscula. Mas o resultado compensa. Os vinhos combinam leveza e profundidade, unindo história, ciência e sensibilidade. Um verdadeiro resgate de uma tradição quase perdida.

Um evento para explorar e conversar

A degustação acontece em formato feira, com estações dedicadas a cada projeto. O público poderá circular livremente, provar diferentes estilos e conversar diretamente com os produtores. Para harmonizar, o restaurante CEPA assina as comidinhas servidas durante a noite — uma seleção pensada para acompanhar a variedade e a complexidade dos vinhos apresentados.

Data: 29 de outubro
Horário: das 19h às 21h30
Local: Restaurante CEPA – Praça dos Omaguás, 110 – Pinheiros, São Paulo
Valor: R$ 500,00 Comprar ingresso

A noite promete ser mais do que uma degustação: uma travessia sensorial pelo que o vinho português tem de mais vivo e inventivo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *